quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

BEM-VINDOS

                        
    Um novo ano acaba de começar no CEMTN. Nos corredores, nas salas, na cantina e por todos os lados vejo novos rostos e, inevitavelmente, penso no tamanho da responsabilidade que minha profissão exige. 
    Escolhi ser EDUCADOR e, trabalhando com adolescentes, percebo que ensinar Sociologia é fácil, dificil  é "EDUCAR a DOR". Isso mesmo, educar a dor. Todos nós guardamos dentro do peito uma dor incurável: a dor de ser gente. Mas o problema não está na dor que sentimos, está no que fazemos para diminuí-la, anestesiá-la.
     Uma dor "deseducada" busca seus analgésicos na bebida, violência, drogas, revolta, consumo descontrolado e qualquer outra coisa que ajude a deixá-la menor, menos presente. Na ânsia de eliminá-la, deixamos de tentar entendê-la e, exatamente por isso, vamos lentamente nos tornando escravos...
    Educar a dor, por outro lado, é deixar os remédios de lado. Entender que ela está relacionada com a incompletude humana e que podemos escolher formas produtivas de conviver com essa dor sem nos tornarmos escravos. 
    Acho que o poema abaixo revela a postura de uma mulher de pescador que aprendeu a educar a dor e todos os benefícios que essa aprendizagem trouxe para sua vida. 
    Desafio a cada um de vocês a trocarem o título da poesia de Adélia por "Escola" e começarem  assim - "Há alunos que dizem..."  Os mais "ousados" postarão o poema reescrito nos comentários  e dividirão suas dores com alguém (primeiro passo para educá-la)

     Um grande abraço e desejo que tenham o melhor ano de suas vidas.
     Prof. Rogério Póvoa    


 
                                CASAMENTO
 Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.

5 comentários:

  1. ESCOLA

    Há alunos que dizem não entender o mundo
    Não entender o porquê dos muros
    Não entender o porquê de se aprender...

    Há alunos rebeldes,
    Que dizem não entender os professores
    Não entender as aulas e tantas regras.

    Há alunos querendo pular o muro
    Querendo não aprender...

    Eu não. Eu aprendi
    Que os muros nos protegem do lado de fora
    Que aprender, não é um dever
    Que os professores, não são piores que nós...

    Temos liberdade para fecharmos os olhos
    Para tamparmos os ouvidos
    E para nos calarmos.

    E temos também a liberdade
    De ver a realidade
    De ouvir a verdade
    E de dizer "Obrigado!"

    Nada no mundo é totalmente bom
    Nada no mundo é totalmente ruim
    Há apenas pessoas que preferem ver o pior
    Ou pessoa que preferem dar uma segunda chance...

    No fim
    Descobriremos que nada é realmente importante
    Mas simplesmente porque não demos uma segunda chance...

    Espero que ninguém sinta saudades
    Simplesmente por ter se fechado
    A novas e importantes possibilidades.

    Escola...
    Apenas uma escola... para quem quer...

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  2. Escola

    Há alunos que dizem que estudar é bobeira
    Há alunos que se fingem de inocentes
    Há alunos que se esquecem do futuro.

    Se fingir de cego,surdo e mudo são desculpas
    Desculpas de quem tem medo
    Medo de encarar a realidade
    De sentir na pele a pressão do mundo afora.

    Para os "cegos" o futuro fica sempre para depois
    Nunca se desenvolve no presente
    E se prendem muito ao passado.

    Enem,PAS,UNB... - O que!?.
    Para os "surdos" a vida é boa
    Escutam o desnecessário até enjoar
    Escutar o necessário é que se torna o problema
    Desviar a audição já virou uma tradição.

    Os "mudos" são os mais bobos
    Iludidos pelo medo, se entregam ao silêncio
    Coragem para errar poucos têm
    Vontade de acertar todos nós temos.

    Errar não é perder! Errar é aprender!
    E isso deve fazer parte da nossa vida.

    Nós alunos somos o futuro desta nação
    O que irá nos garantir é o nosso conhecimento
    Transforme o medo em coragem e siga em frente
    Não desista na primeira dificuldade.

    Quem sabe quer,quem sabe procura
    Você está pronto para essa aventura?

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  3. Emocionantes....
    Nas "dores" pertinentes a minha profissão, os dois textos se revelam de uma beleza e grandeza de caráter impressionantes. Metamorfose que permite que alunos se transformem, de forma singela e genial, em educadores. Educando as próprias dores e as dores desse velho educador.
    Obrigado amigo Eduardo e querido Matheus, vou dormir com a sensação que alguns ainda entendem...

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  4. Escola

    Ha alunos que dizem não poder ser forte.
    Não demonstrar a força em reação.
    Fingir que tudo esta perdido,
    sendo que a necessidade é atenção.

    Problemas todos temos,
    oque não falta é solução.
    Dizer que tudo esta perdido,
    isso se torna um sermão.

    A felicidade esta a quem procura,
    basta procura-la com entendimento.
    Mas quem sofre calado aos múrmuros no peito,
    eu só lamento.

    A vida tem seus altos e baixos,
    mas na rotina não sera fracasso.
    Momentos viram a ser inesquecíveis,
    e as dificuldades tornaram passado.

    Paciência e viver de sorrisos,
    porque as vezes nem tudo é normal.
    Pois uma vida só é perfeita,
    quando chega no final.

    Mawere Herisson-1 N

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  5. Parabéns Mawere! Logo de cara você aceitou o desafio de escrever o que pensa e o que sente. Concordo com seus argumentos e com a ideia de que a "felicidade está a quem procura"!!
    Absolutamente genial!!!

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