domingo, 11 de setembro de 2011

TAREFA 6ª AULA 3º BIMESTRE



TAREFA INDIVIDUAL

Considerando a história “Você é meu”, faça diferentes análises de sua trama, Tomando como referência as teorias desenvolvidas por Durkheim, Weber e Marx. Assim você deverá analisar a história pela ótica das Ações Sociais, Fatos Sociais e das Classes Sociais (meia página para cada análise).


VOCÊ É MEU
(Texto adaptado da obra de Max Lucado).

Marcinelo vivia na aldeia dos Xulingos. Como qualquer bom xulingo, ele era feito de madeira e tinha sido esculpido por Eli, o criador da aldeia. Como todos os xulingos, de vez em quando, ele fazia coisas bobas. Como aquela vez em que começou a colecionar caixas e bolas.

As coisas passaram a ficar estranhas quando um xulingo chamado Tuck comprou uma caixa nova. Outros tinham caixas, mas a de Tuck era nova.

Tuck gostava muito de sua nova caixa. Ele achava que ela era a melhor caixa da aldeia. Ela era colorida por dentro e por fora, e ele estava orgulhoso dela. Talvez, orgulhoso até demais. Andava para cima e para baixo, exibindo sua caixa.

- Já viu minha nova caixa? – perguntava aos outros xulingos - Gostariam de pegar em minha nova caixa?
 Tuck foi contar a novidade para Marcinelo:

- Você não quer ter uma caixa nova? – provocou ele.

Marcinelo achou a que a caixa de Tuck era maravilhosa. E passou a querer ter uma caixa para ele também.

Tuck continuou mostrando a sua caixa, achando que ele era melhor que todos os xulingos, só porque tinha uma caixa nova.

Nip, outro xulingo discordou:

- Minha caixa é tão boa quanto à de Tuck – dizia ele, enquanto mostrava a sua caixa, no outro lado da rua. A caixa de Nip não era nova, mas era um pouco maior e um pouco mais brilhante e nela cabiam mais coisas do que na de Tuck.

Tuck ficou quieto e olhou com raiva para Nip. E então teve uma ideia. Correu até a loja e comprou uma bola. Agora ele tinha mais coisas do que Nip. Tinha uma caixa e uma bola.

Nip olhou com desagrado para a bola de Tuck. Ele poderia fazer melhor do que aquilo. E comprou duas bolas. Com um sorriso na face, e seus brinquedos nas mãos, foi falar com Tuck e sorriu malicioso:

- Agora, tenho mais do que você! Agora eu sou melhor que você!

Antes que percebesse, Tuck estava na loja, comprando outra caixa. Então Nip correu, para comprar outra bola. Então Tuck comprou uma bola, e Nip comprou uma caixa. Bola. Caixa. Caixa. Bola. Tuck. Nip. Nip. Tuck. E assim por diante.

Alguém poderia ter interrompido toda a confusão ali. E foi o que o prefeito tentou fazer:

- Vocês estão sendo tolos. Disse ele a Nip e a Tuck. Quem é que vai se importar com quem tem mais e com quem tem menos brinquedos?

- Você está é com inveja por que não tem nenhum brinquedo.

- Inveja? De vocês?

Mas, dentro de poucos instantes, o prefeito estava na loja comprando uma montanha de caixas e bolas.

Outros xulingos começaram a fazer o mesmo. O açougueiro. O padeiro. O médico, de uma ponta da rua, e o dentista, da outra.

Logo, cada xulingo queria ser o que possuísse o maior número de caixas e bolas.

Algumas caixas eram grandes, outras brilhantes. Algumas bolas eram pesadas, outras eram leves. Pessoas altas carregavam caixas e bolas. Pessoas baixas também. Todos carregavam esses brinquedos. E todos pensavam a mesma coisa: Os bons xulingos possuem muitos brinquedos. Os que não são muito bons, possuem poucos brinquedos.

Quando um xulingo caminhava pelo centro da aldeia com uma pilha de caixas e bolas que ultrapassava a sua cabeça o povo parava.

-Aí vai um bom xulingo! – aprovavam eles.

Porém, quando um xulingo passava com apenas uma bola ou uma caixa, os outros balançavam e pensavam, talvez até cochichando: Pobre xulingo! Pobre, coitado xulingo!

É claro que Marcinelo não queria ser chamado de pobre coitado xulingo. Então, decidiu ter tantas caixas e bolas quanto pudesse. Examinou o seu quarto e encontrou uma pequena bola. Remexeu no bolso e encontrou dinheiro para comprar uma pequena caixa.

- Já sei o que vou fazer – disse ele. - Vou vender os meus livros para conseguir mais dinheiro e comprar mais caixas e mais bolas.

E assim ele fez. Comprou uma caixa azul e verde com nuvens pintadas nos lados. Mas ele ainda queria mais.

- Vou trabalhar à noite para ganhar dinheiro extra.

Fez isso, e comprou uma bola. E, porque estava trabalhando à noite, achou que não precisaria de sua cama. Então decidiu:

- Vou vender minha cama para comprar mais duas bolas.

Logo Marcinelo estava com os braços cheios de caixas e bolas. Tantas quantas ele podia carregar. Mas outros xulingos possuíam mais brinquedos do que ele. Alguns tinham tantas caixas e bolas que mal conseguiam andar.

Não é fácil carregar todas estas bolas e caixas. Diziam como se estivessem reclamando, mas, na verdade, estavam se gabando.

Marcinelo queria ser como esses xulingos. Então vendeu mais coisas e fez mais horas extra no trabalho. Seus olhos estavam cansados por não dormir. Seus braços, cansados por carregar tantos brinquedos. Ele nem se lembrava mais da última vez que havia deitado para descansar. E, o pior de tudo, seus amigos não se lembravam da última vez que ele tinha vindo para brincar.

- Não vemos você há tanto tempo! – queixou-se sua amiga Lúcia.

- Por que você não vem brincar de novo? – perguntou seu companheiro Splint.

Nem todos se preocupavam com caixas e bolas. Os amigos de Marcinelo não se importavam com isso. Entretanto, Marcinelo estava mais preocupado em ter caixas e bolas do que em ter amigos.

- Eu tenho me esforçado para consegui-las!  - explicava ele. E seus amigos suspiravam.

Marcinelo nem ligava... Preocupava-se apenas com o que os outros “bolas-e-caixas” pensavam. E, por mais que se esforçasse, ele não conseguia chamar a atenção deles. Finalmente, teve uma ideia:

- Vou vender a minha casa!

- Está maluco?! – gritou Lúcia

- Onde você vai morar? – perguntou Splint.

Marcinelo não sabia, mas não se importava. Ele só pensava nas caixas e bolas que poderia comprar com todo aquele dinheiro. Então, ele vendeu a casa. E comprou caixas e caixas e mais caixas, e bolas e bolas e mais bolas. Ele carregava tantos brinquedos, que não conseguia enxergar por onde andava. Sua pilha de caixas e bolas ultrapassava a sua cabeça. Porém, ele não ligava. Mas, e se os seus braços doessem? E se ele continuasse batendo nas paredes? E se não tivesse mais amigos? Ele tinha caixas e bolas e, quando passava, os xulingos se voltavam e comentavam:

- Puxa, ele deve ser um bom xulingo.

Marcinelo ouvia o que eles diziam. Não podia vê-los, mas escutava o que eles falavam e se sentia muito bem. Sou um bom xulingo!

Mas então alguém mudou as regras. Foi a mulher do prefeito. Ela era muito orgulhosa de suas caixas e bolas. Ela não só possuía uma grande quantidade desses brinquedos, como suas caixas e bolas eram de um tipo todo especial. Ela as comprava nas lojas mais esquisitas, que tinham nomes divertidos, e deixava os nomes das lojas nas caixas para que todos pudessem vê-los. Ela queria ser a melhor xulinga. Um dia, ela teve uma ideia:

- Eu não só terei uma pilha mais alta de caixas e bolas, como também conseguirei ir mais alto do que todos. Então ela subiu em uma de suas caixas e gritou:

- Olhem para mim!

Imediatamente todos os “caixas-e-bolas” tentaram ultrapassá-la. Um, subiu no chafariz, outro, na sacada e outro, no telhado. Mas foi o prefeito quem descobriu a montanha.

Vou para o alto da montanha! E vou chegar primeiro.

A competição era para ver qual xulingo possuía mais caixas e bolas, e subiria mais alto. Xulingos carregados desses brinquedos começaram a subir a montanha, correndo. Era uma loucura. Uma louca competição. Como as pessoas de madeira não podiam ver para onde estavam indo, topavam umas nas outras. E como estavam, muito cansadas, caíam sem parar. Algumas caíam ao lado da trilha, porque era muito estreita. Mas, continuavam avançando.

Por último subia Marcinelo. Para ele estava sendo difícil subir, mais difícil do que para os demais. Afinal, ele tinha sido um “bom xulingo” apenas por um pouco de tempo. Ele não estava acostumado a carregar tantas caixas e bolas. Mesmo assim, estava decidido. Prosseguiu, pondo um pé de madeira à frente do outro. Mas como ele não podia enxergar, também não podia saber que estava andando pelo lado da trilha, e não pela própria trilha. E como não podia ver, não percebeu que havia saído da trilha. Tudo o que ele notou foi que, de repente, estava completamente só. Devo ter passado à frente de todo mundo! – pensou consigo mesmo. – E continuou subindo e subindo. - Devo está bem perto do topo. Sou mesmo um bom xulingo; estarei mais alto do que todos eles. Agora sou o melhor Xulingo da aldeia!

Naquele momento, os pés de Marcinelo esbarraram na borda de alguma coisa. Ele tentou manter o equilíbrio, seus brinquedos tombaram para direita e depois para a esquerda. Ele inclinou-se para trás e, depois, para frente, mas não conseguia parar. Marcinelo ia cair. O que ele não sabia, porém, é que havia subido a trilha na direção da casa de Eli. Tropeçou no degrau da varanda e caiu bem na porta da oficina de Eli. Quando viu onde estava, Marcinelo ficou perturbado. Por um longo tempo, ficou ali, com o rosto no chão, cercado por suas bolas e caixas.

Uma das bolas rolou pelo assoalho e parou junto à banca de trabalho de Eli. Foi quando o escultor se virou.

- Marcinelo?! Parece que você vem carregando um peso muito grande! A voz de Eli soou calma, profunda e bondosa.

O cansado xulingo ficou de joelhos e levantou-se. Mas continuou de cabeça baixa.

- Estas são as minhas caixas e bolas – explicou, sem se mover.

- Você brinca com as caixas e bolas? – perguntou Eli.

Marcinelo sacudiu a cabeça.

- Você gosta de caixas e bolas?

- Gosto do que eu sinto quando penso que elas são minhas.

- E o que você sente quando pensa que elas são suas?

- Eu me sinto importante – respondeu Marcinelo, ainda com a voz fraca.

- Hummm! Então você deve estar se sentindo como os outros xulingos. Deve estar achando que quanto mais você tem, melhor você é, e mais feliz você será.

- Acho que sim.

- Venha cá, Marcinelo. Quero lhe mostrar uma coisa.

Marcinelo levantou sua cabeça de madeira e olhou pela primeira vez para Eli. Ficou aliviado ao notar que o escultor não estava zangado com ele.

        Marcinelo seguiu Eli até a janela.

- Olhe para eles – falou Eli.

Através da janela. Marcinelo olhou para o enxame de xulingos escalando a montanha. Eles estavam tropeçando, caindo, lutando uns com os outros, empurrando-se para chegar à frente.

= Eles parecem felizes? – indagou Eli.

        Marcinelo apenas negou com a cabeça.

- Parecem importantes?

- De jeito nenhum – respondeu Marcinelo observando o prefeito e sua esposa. O prefeito estava no chão, e ela, pisando em suas costas. Ela tinha uma caixa na cabeça e ele uma bola na boca.

- Você acha que eu criei os xulingos para se comportarem dessa forma? – interrogou Eli.

- Não.

        Marcinelo sentiu uma grande mão em seu ombro.

- Você sabe quanto lhe custaram suas caixas e bolas?

- Meus livros, minha cama, meu dinheiro e minha casa.

- Meu amigo, elas lhe custaram muito mais que isso.

 Marcinelo estava tentando lembrar o que mais havia vendido quando Eli interrompeu:

- Suas caixas e bolas lhe custaram sua felicidade. Você não tem sido feliz, tem?

- Não.

- Elas também lhe custaram seus amigos. E acima de tudo, elas lhe custaram a confiança. Você não confiou você mesmo para ser feliz, confiou nessas caixas e bolas.

Marcinelo olhou para aquela pilha de caixas e bolas e, de repente, eles já não pareciam tão valiosos.

- Eu caí nessa bobagem. Não acredito!

- Tudo bem! Você ainda é especial.

        Marcinelo abaixou a cabeça e sorriu.

- Você é especial não pelo que você tem, você é especial pelo que você é. Nunca se esqueça disso amigo.

- Não esquecerei – sorriu Marcinelo.

Após uma pequena pausa, chamou:

- Eli?

- Sim.

- O que devo fazer com essas caixas e bolas?

- Talvez você possa dar a alguém que realmente precise delas.

Marcinelo virou-se para sair, mas parou novamente.

- Eli?

- Sim.

- Não tenho onde dormir.

- Gostaria de dormir aqui esta noite?

- Sim, gostaria muito. Estou muito cansado.

E assim, naquela noite, Marcinelo dormiu numa simples, muito simples cama de serragem. Dormiu bem, como há muito não dormia e sentiu-se feliz, como há muito tempo não se sentia.



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